janeiro 2024

Tuhpanger | Episódio 11

Os cinco guerreiros espirituais estavam ali, reunidos na aldeia perdida de frente para Iara. Antes de chamar aquela reunião, a indígena fez uma extensa pesquisa sobre os espíritos protetores da floresta, ela sabia que existia uma maneira de conseguir ajuda para os Tuhpanger, mas se tratava de algo que nunca havia tentado contatar aos protetores espirituais da região. — Por que nos chamou aqui, Iara? — perguntou Joaquim de braços cruzados e com um tom de interesse na sua voz. — Eu fiquei pensando desde a batalha mais recente de vocês contra o guerreiro laranja… Então, eu pensei em uma solução para esse problema… — Uma solução? — perguntou Katarina com o mesmo tom de interesse do guerreiro vermelho. — A solução é encontrar novos espíritos protetores que, na primeira batalha, não se juntaram a nós. — explicou Iara. O grupo de jovens adultos trocaram olhares entre eles, desconfiados da informação que havia acabado de ser jogada como se não fosse nada demais. O primeiro que decidiu falar alguma coisa foi o guerreiro cor-de-rosa, Rafael perguntou o seguinte: — E por que esses espíritos protetores não aceitaram participar da primeira batalha? — Porque a princípio apenas seis guerreiros eram o suficiente para aprisionar Abaçay, mas agora parece que vamos precisar de mais ajuda. — explicou a indígena com seu tom de voz calmo de sempre. Então, ela caminhou até sua fonte mágica, onde apareceu um caminho para uma zona florestal no centro-oeste do Brasil. — Nesse lugar, vocês encontraram um espírito guerreiro. Devem o convencer de que sua ajuda é necessária para acabar com este mal. — Tudo bem, eu vou. — disse Joaquim olhando para a fonte mágica. — Infelizmente não é você quem decide, guerreiro vermelho. — em seguida Iara olhou para a fonte e passou sua mão acima dela, a água começou a brilhar e mostrou a imagem do guerreiro verde e do guerreiro cor-de-rosa. — Os espíritos protetores fizeram sua escolha. Rafael e Manuel vão encontrar o espírito da capivara para que ela se junte a nós. — disse sorrindo. Todos olharam para Manuel que parecia confuso e surpreso com aquilo, ele não esperava ser escolhido para nada e muito menos para uma missão tão importante como aquela, ainda mais porque algumas horas ele estava sendo o alvo número um dos vilões para acabar com os guerreiros. O peso daquela responsabilidade fez com que suas pernas tremessem como vara de bambu, mas ele logo tentou mantê-las firmes para que ninguém desconfiasse do seu medo de ser um peso para a equipe, talvez por esse motivo tenha aceitado tão bem a nova missão. Então, foi decidido que enquanto Miguel e Rafael iam buscar a ajuda de mais um espírito protetor, os outros guerreiros ficariam em prontidão caso Ubiratã e o exército de Abaçay voltassem a atacar as pessoas. Iara torcia para que aquele plano desse certo e que a ajuda dos outros animais servisse para trazer o sexto guerreiro de volta para o lado deles. Ela não iria suportar se perdesse Ubiratã mais uma vez, sabendo que essa segunda vez seria para sempre. Enquanto isso, na caverna em que Abaçay fez de seu quartel general, Solares e o guerreiro laranja discutiam a falha do plano de atacar o alvo mais fácil dos Tuhpanger. Como sempre, entre os dois, a discussão estava acalorada, a cada hora que passava convivendo com a presença de Ubiratão, Solares o odiava mais por ter roubado seu lugar ao lado de Abaçay. Para um guerreiro vindo do velho mundo, aquilo se tratava de um belo insulto. Por outro lado, Cuca sabia que os poderes do seu monstro haviam sido desperdiçados, um ser maligno que consegue fazer as pessoas se odiarem, despertar os sentimentos mais desagradáveis em um coração, inveja, raiva, avareza e tantos outros. — Infelizmente não fizeram bom uso de suas habilidades, meu querido. — disse a feiticeira de frente para seu monstro. — O que a senhora quer dizer com isso, mestra? — perguntou o monstro. — Bem… Por que você não vem comigo? Vamos coletar mais energia negativa para o Mestre Abaçay. Dessa forma, ele estará mais forte e pronto para derrotar os Tuhpanger de uma vez por todas e conquistar Pindorama… Depois, o esse mundo inteiro! — Claro, senhora! Mas, antes… — Sim? — Qual meu nome? Cuca bufou, mas logo em seguida respondeu: — Seu nome não é importante, mas se quiser nomear a si mesmo, não me importo… Agora… Vamos, temos muito trabalho a fazer. Com seu cajado, a feiticeira abriu um portal direto para a orla do Rio de Janeiro. Miguel e Rafael foram transportados para a região em que o espírito lendário estaria. Se tratava de uma região do centro-oeste que ficava longe da cidade e perto da natureza, afastada o suficiente para preservar algumas coisas. Os dois estavam um ponto alto, ao fundo, de um lado podiam ver o começo da vida urbana e do outro lado, podiam ver o que restou da natureza. — E agora? — perguntou Rafael. — Como vamos fazer para chamar a atenção desse espírito lendário? Miguel ficou em silêncio, pensando por alguns segundos. — Acho que… Assim como a aldeia perdida, deve haver algum portal escondido. Invisível. — Como vamos fazer para ver algo que não pode ser visto? Miguel levantou sua mão como um personagem de anime quando tem uma ideia. — Se a gente se transformar… Talvez, com a ajuda dos nossos espíritos protetores, poderemos encontrar algum caminho. O mais velho deu de ombros, a teoria fazia um pouco de sentido. — Vamos fazer, então. — respondeu Rafael e em seguida pegou seu celular, abrindo o aplicativo de transformação. Miguel fez o mesmo. Depois de duas luzes, rosa e verde, os dois já estavam vestindo seus trajes de guerreiros espirituais. Um caminho iluminado por algo que parecia uma aurora boreal apareceu na frente dos dois rapazes, guiando para dentro da natureza a frente deles. O Verde e o Rosa trocaram olhares, então, concordaram com a

Tuhpanger | Episódio 11 Read More »

A Intrusa | Capítulo XX

– Feliciano! diga à sra d. Alice que eu desejo falar-lhe…– Ela está na sala de jantar, com d. Maria da Glória…– Bem, então não a incomode; eu vou lá.O barão sumira-se atrás do genro, pela escada acima, e o padre Assunção seguiu pelo corredor. Glória enfeitava uma cesta de flores e frutas, dirigida pela governanta. Era para o centro da mesa do almoço. Assunção parou entre portas, ouvindo-as sem ser pressentido:– … Tenha o cuidado, Glória, de combinar as cores, de modo que umas façam ressaltar as outras… por exemplo, sempre que tiver flores escuras, como estas roxas, ponha-as ao lado de brancas ou amarelas… Refresque o musgo com água todos os dias… Não consinta na mesa de seu pai nenhuma falta… você já está uma mocinha… Hoje, por exemplo, ofereça-se para lhe descascar uma laranja, e assim procure servi-lo todos os dias… Não… essa maçã não fica bem aí… repare que é da mesma cor do pêssego… ponha-a antes aqui, entre esta camada de musgo…Assunção interrompeu-as:– D. Alice…Alice voltou-se. Estava pálida, com os olhos pisados de choro. Glória exclamou:– Ah! padre Assunção! estou muito triste.– Já sei; vai brincar um pouco, minha filha, preciso falar com a tua mestra…– Eu não sou mestra…– Assisti ainda a um trecho de lição!…– Conselhos… só…Glória, entretanto, sussurrava ao ouvido do padrinho:– Faça com que ela fique cá em casa, sim?! E saiu correndo.– Sabe o que a Glória me pediu?– Adivinho…– Recebi ontem uma carta do barão, dizendo-me que a senhora quer deixar esta casa…– Despediram-me.– Hein?!– Despediram-me.Assunção quedou-se atônito diante da moça.– Não se admire; os meus serviços deixaram de ser precisos, já sou demais aqui.– Mas…– Pressenti no senhor um amigo, e sei que me defenderá mais tarde. Isto já é uma compensação!Daqui a duas horas sairei desta casa…A voz tremeu-lhe, um rubor cobriu-lhe as faces, e concluiu:– Logo que tenha feito as contas com o dr. Argemiro…– Supus que a resolução tivesse sido sua, e por isso procurei-a em primeiro lugar, desejando convencê-la a mudar de idéia…– Enganou-se… Fui posta na rua, e se não fosse corajosa teria abandonado ontem mesmo o meu posto. Não quero que saiba pela minha boca o que se passou. Outros lho dirão. Só lhe peço uma coisa: afirmar que eu sou uma rapariga absolutamente honesta, se acaso ouvir qualquer alusão desairosa…– Não ouvirei; todos a consideram aqui e eu sei bem quem a senhora é. Estive em sua casa.– O senhor!– Mas não disse a ninguém. Descanse. Permita que a deixe, para ir falar à baronesa. Vejo que era a ela que eu me deveria dirigir primeiro… Em todo o caso, prometa-me não sair sem falar com o Argemiro.– É só por isso que eu espero.Assunção contemplou-a. Ela fizera-se de novo como um lacre.– Que tenciona dizer-lhe? – Prestar-lhe as minhas contas. Tenho tudo em ordem. É questão para vinte minutos… “Dizem-se num minuto mais de cem palavras”- pensou o padre consigo; “terão tempo deconversar!…”O Feliciano entrava e saía, remexendo nos talheres, abrindo e fechando gavetas, maciamente. Sentindo passos na escada, Alice fugiu para o interior. O padre voltou-se. Era o barão.O velho aproximou-se.– Então… como recebeu o homem a notícia?– Mal…– Hum… foi o diabo!…– A senhora baronesa?…– Oh, você sabe, minha mulher não pode tolerar a outra. Aquilo é uma doença. Doença que nem os médicos nem os padres curam… Esgotei todos os argumentos a favor desta pobre rapariga; afinal, compreendi que o melhor seria deixar correr a água ao sabor da corrente. Os fatos brutais resolvem às vezes questões delicadas melhormente do que palavras doces. Depois, esta situação é intolerável e não podia ser prolongada, sob pena de ver a minha mulher no hospício ou na sepultura… Sacrifício por sacrifício, mais vale o da moça… lá terá na própria mocidade consolação para os seus desgostos… se esse nome merece o dissabor do desemprego. Afinal, não devemos exagerar os fatos. Casas não faltam para essa espécie de serviço. Mais lamento eu o Argemiro, que vai voltar aos embaraços antigos logo que tornemos para a chácara… Veja você se conhece alguém nas condições de substituir esta moça… D. Sofia talvez possa indicar.– D. Alice é insubstituível.– Ora, ora! também você!– Eu, mais do que ninguém, posso afirmá-lo. Como sabe, Argemiro pediu-me que tomasse informações da governanta, logo que se decidiu a confiar-lhe a filha… A mim bastava-me vê-la e ouvi-la para perceber que a nossa Glória estava bem entregue… mas a missão era tão delicada, que insisti em levá-la até o fim, mais com o propósito de defender a pobre moça destes ataques previstos, do que por desconfiar dela. O caso ajudou-me. Um amigo de meu pai, o coronel Barredo, que tem a especialidade de saber a crônica de meio mundo, veio ao meu encontro, e por me ter visto a conversar com ela, desandou a falar a seu respeito, poupando-me o trabalho de uma inquirição, para que me faltava o jeito…– Isso seria vago…– Era positivo. O Barredo estava ao fato de tudo, conhecia té a fórmula do contrato entre Argemiro e d. Alice! Há desses homens extraordinários, cujas vistas perfuram paredes e desvendam mistérios… Ainda nós não sabemos do que se passa em nosso interior e já eles estão senhores do nosso segredo!– As informações que ele deu foram então…– Magníficas. Terei ocasião de repeti-las agora diante da sra. baronesa.– Pelo amor de Deus, não tente uma reconciliação! Seria recomeçar!– Não se tratará senão de uma reparação. Mas sempre os conheci justos e amigos do fazer bem.– Caridade bem entendida por nós mesmos é começada…– Não se fala agora de caridade, mas de justiça!– Dir-se-ia discutir-se a saída de um ministro de Estado!…– Esta é mais sensível e merece maior ponderação.– Enfim, o que está feito está feito. Parece-me que não vou gora pedir à menina que fique, pelo amor de Deus! Eu fiz muito dirigindo-me a ela e pedindo-lhe desculpa pela forma por que minha mulher a despediu…– Ah! e ela o que disse? – Gaguejou umas

A Intrusa | Capítulo XX Read More »

Tuhpanger | Episódio 10

Depois de sofrerem uma derrota, a primeira desde que se tornaram guerreiros espirituais, os jovens precisavam passar um tempo em paz esfriando suas cabeças. Para isso eles se reuniram na casa de Katarina. Essa era a primeira vez que eles iam conhecer a casa de um deles. Se tratava de uma sala de estar não muito fora do comum, um sofá em frente a uma televisão, a mesa para fazer as refeições alguns metros de distância ao lado da entrada para a cozinha, um tapete no chão, uma poltrona e a estante em que se encontrava o aparelho televisivo com quadros, livros e DVDs. Estavam presentes: Maria Inês, Miguel e Rafael. — Por que Joaquim não está aqui? — perguntou Katarina enquanto servia as bebidas para os seus amigos. — Ele quis ficar treinando na aldeia perdida. — respondeu a guerreira amarela. — Eu acho que ele não vai voltar para a vida dele ainda… — comentou Rafael. — Como você sabe disso? — Inês questionou o amigo. — Ele me disse. Falou que não ia parar de treinar até derrotar o sexto guerreiro espiritual. Eles ficaram em silêncio. Não tinham mais nada para conversar, claro que a preocupação sobre como lidariam com a missão de agora em diante com a presença do guerreiro laranja existia, entretanto, naquele momento o cansaço era maior do que a preocupação. Necessitavam recuperar suas energias, levantar a autoestima, para poder lutarem novamente num futuro próximo. Enquanto isso, na Aldeia Perdida, Joaquim se concentrava em seu treinamento. A poeira que subia do chão a cada movimentação dos seus pés voando com o chute contra o boneco de treinamento feito de palha, grudava em seu corpo suado, nos seus músculos rígidos pelo esforço físico. O guerreiro vermelho não era o único a estar treinamento nesse momento. Na caverna em que Abaçay se encontrava preso, Ubiratã também treinava se utilizando dos soldados sem cérebro. Ainda vestindo seu traje de guerreiro espiritual laranja, o indígena usava sua espada e o seu escudo da sucuri para desferir seus golpes. Uma coisa havia em comum entre Ubiratã e Joaquim, além do fato de estarem treinando para um derrotar o outro, ambos haviam a determinação dentro deles para não falharem em suas missões pessoais. Sabiam que desde o segundo em que seus olhares se cruzaram, no primeiro encontro, uma rivalidade nasceu. Mais tarde… As tochas das paredes de terra se encontravam mais fortes, suas chamas estavam mais cheias e altas, principalmente daquelas que se encontravam mais perto de Abaçay. Solaris, Cuca e Ubiratã estavam de frente para o demônio, por causa da luz do fogo, suas sombras se ficavam gigantescas contra a parede. Os três soldados esperavam o discurso do seu mestre. — Acho que pela primeira vez estou genuinamente orgulhoso. — começou o chefe a discursar. — Pela primeira vez, saímos do campo de batalha sem uma derrota. É hora da gente fazer um novo ataque, pois aqueles miseráveis ainda não devem ter se recuperado do baque que sofreram ontem. Então, eu quero saber se vocês possuem algumas ideias… — Mestre… — disse Ubiratã se aproximando, ajoelhou em frente ao demônio. — Diga. — Eu quero começar atacando os Tuhpanger pelo guerreiro mais fraco, deixando o vermelho cada vez mais sem aliados. Para isso, pensei em começar pelo guerreiro verde. — o homem indígena explicou seu plano. — Eu posso criar um monstro novo. — disse Solaris em seguida. — Por que você? — questionou Cuca com um tom de repreensão. — Afinal, foi eu quem trouxe Ubiratã de volta a vida. Eu devo criar o próximo monstro! — Cale a boca, sua bruxa! Sabe bem que seus monstros são fracos! — gritou o guerreiro do sol. — Diga isso ao seu último! — rebateu a antiga feiticeira. — CALEM A BOCA! — gritou Abaçay. — Muito bem… Cuca, crie o próximo monstro e quanto a você, Solaris, fará dupla com Ubiratã. Quero todos alinhados, para juntos derrotarmos os guerreiros espirituais! No salão das estátuas, Cuca observava com atenção qual iria escolher para dar vida novamente. Solaris entrou no local, seus braços cruzados e passos lentos, mas, ao mesmo tempo, duros, denunciando que a julgava a medida em que se aproximava. — Qual das suas aberrações você vai escolher, feiticeira? — perguntou o guerreiro do sol, reforçando seu julgamento através do tom da sua voz. — Estava em dúvida, mas eu já sei! Um monstro que vai atacar o ser humano onde fica mais frágil quando sofre danos. Sabe, Solaris, seres humanos são seres que precisam da companhia de outro, animais fracos que só funcionam em sociedade e em pares… O meu próximo monstro vai acabar com o amor! Cuca girou seu cajado mágico, ele brilhava mais intensamente conforme girava. Parou deixando a parte superior para cima e dali um raio verde atingiu uma estátua. A primeira vista pareceu que a quebrou em vários pedaços, mas quando o brilho se dissipou, revelou uma criatura meio humanoide, com longos cabelos negros, mãos e pés gigantes e olhos vermelhos. O guerreiro do sol observou com atenção aquele ser que surgiu em sua frente. Pousou sua mão sobre seu queixo, ainda com curiosidade. — Espero que dê certo. Ele vai servir para distrair os outros quatro enquanto Ubiratã e eu cuidamos do guerreiro verde! … O trampolim não estava tão longe assim da água, apenas alguns centímetros. Usava sua touca e o seu maiô azul-claro, levantou seus braços para cima e respirou fundo, se jogou na piscina indo até o fundo e rapidamente retornando a superfície, começando a nadar o mais rápido que conseguia. Na plateia, Maria Inês torcia por Katarina, por mais que aquilo fosse apenas um treino do cotidiano da guerreira azul, a amiga queria que a outra desse o seu melhor. Perto da piscina, o treinador de Katarina cronometrava o seu tempo. Sua expressão não era a das melhores, pois a garota havia caído nos últimos dias e isso o preocupava muito desde que ela decidiu dar um tempo

Tuhpanger | Episódio 10 Read More »

Rolar para cima