Depois de sofrerem uma derrota, a primeira desde que se tornaram guerreiros espirituais, os jovens precisavam passar um tempo em paz esfriando suas cabeças. Para isso eles se reuniram na casa de Katarina. Essa era a primeira vez que eles iam conhecer a casa de um deles. Se tratava de uma sala de estar não muito fora do comum, um sofá em frente a uma televisão, a mesa para fazer as refeições alguns metros de distância ao lado da entrada para a cozinha, um tapete no chão, uma poltrona e a estante em que se encontrava o aparelho televisivo com quadros, livros e DVDs. Estavam presentes: Maria Inês, Miguel e Rafael. — Por que Joaquim não está aqui? — perguntou Katarina enquanto servia as bebidas para os seus amigos. — Ele quis ficar treinando na aldeia perdida. — respondeu a guerreira amarela. — Eu acho que ele não vai voltar para a vida dele ainda… — comentou Rafael. — Como você sabe disso? — Inês questionou o amigo. — Ele me disse. Falou que não ia parar de treinar até derrotar o sexto guerreiro espiritual. Eles ficaram em silêncio. Não tinham mais nada para conversar, claro que a preocupação sobre como lidariam com a missão de agora em diante com a presença do guerreiro laranja existia, entretanto, naquele momento o cansaço era maior do que a preocupação. Necessitavam recuperar suas energias, levantar a autoestima, para poder lutarem novamente num futuro próximo. Enquanto isso, na Aldeia Perdida, Joaquim se concentrava em seu treinamento. A poeira que subia do chão a cada movimentação dos seus pés voando com o chute contra o boneco de treinamento feito de palha, grudava em seu corpo suado, nos seus músculos rígidos pelo esforço físico. O guerreiro vermelho não era o único a estar treinamento nesse momento. Na caverna em que Abaçay se encontrava preso, Ubiratã também treinava se utilizando dos soldados sem cérebro. Ainda vestindo seu traje de guerreiro espiritual laranja, o indígena usava sua espada e o seu escudo da sucuri para desferir seus golpes. Uma coisa havia em comum entre Ubiratã e Joaquim, além do fato de estarem treinando para um derrotar o outro, ambos haviam a determinação dentro deles para não falharem em suas missões pessoais. Sabiam que desde o segundo em que seus olhares se cruzaram, no primeiro encontro, uma rivalidade nasceu. Mais tarde… As tochas das paredes de terra se encontravam mais fortes, suas chamas estavam mais cheias e altas, principalmente daquelas que se encontravam mais perto de Abaçay. Solaris, Cuca e Ubiratã estavam de frente para o demônio, por causa da luz do fogo, suas sombras se ficavam gigantescas contra a parede. Os três soldados esperavam o discurso do seu mestre. — Acho que pela primeira vez estou genuinamente orgulhoso. — começou o chefe a discursar. — Pela primeira vez, saímos do campo de batalha sem uma derrota. É hora da gente fazer um novo ataque, pois aqueles miseráveis ainda não devem ter se recuperado do baque que sofreram ontem. Então, eu quero saber se vocês possuem algumas ideias… — Mestre… — disse Ubiratã se aproximando, ajoelhou em frente ao demônio. — Diga. — Eu quero começar atacando os Tuhpanger pelo guerreiro mais fraco, deixando o vermelho cada vez mais sem aliados. Para isso, pensei em começar pelo guerreiro verde. — o homem indígena explicou seu plano. — Eu posso criar um monstro novo. — disse Solaris em seguida. — Por que você? — questionou Cuca com um tom de repreensão. — Afinal, foi eu quem trouxe Ubiratã de volta a vida. Eu devo criar o próximo monstro! — Cale a boca, sua bruxa! Sabe bem que seus monstros são fracos! — gritou o guerreiro do sol. — Diga isso ao seu último! — rebateu a antiga feiticeira. — CALEM A BOCA! — gritou Abaçay. — Muito bem… Cuca, crie o próximo monstro e quanto a você, Solaris, fará dupla com Ubiratã. Quero todos alinhados, para juntos derrotarmos os guerreiros espirituais! No salão das estátuas, Cuca observava com atenção qual iria escolher para dar vida novamente. Solaris entrou no local, seus braços cruzados e passos lentos, mas, ao mesmo tempo, duros, denunciando que a julgava a medida em que se aproximava. — Qual das suas aberrações você vai escolher, feiticeira? — perguntou o guerreiro do sol, reforçando seu julgamento através do tom da sua voz. — Estava em dúvida, mas eu já sei! Um monstro que vai atacar o ser humano onde fica mais frágil quando sofre danos. Sabe, Solaris, seres humanos são seres que precisam da companhia de outro, animais fracos que só funcionam em sociedade e em pares… O meu próximo monstro vai acabar com o amor! Cuca girou seu cajado mágico, ele brilhava mais intensamente conforme girava. Parou deixando a parte superior para cima e dali um raio verde atingiu uma estátua. A primeira vista pareceu que a quebrou em vários pedaços, mas quando o brilho se dissipou, revelou uma criatura meio humanoide, com longos cabelos negros, mãos e pés gigantes e olhos vermelhos. O guerreiro do sol observou com atenção aquele ser que surgiu em sua frente. Pousou sua mão sobre seu queixo, ainda com curiosidade. — Espero que dê certo. Ele vai servir para distrair os outros quatro enquanto Ubiratã e eu cuidamos do guerreiro verde! … O trampolim não estava tão longe assim da água, apenas alguns centímetros. Usava sua touca e o seu maiô azul-claro, levantou seus braços para cima e respirou fundo, se jogou na piscina indo até o fundo e rapidamente retornando a superfície, começando a nadar o mais rápido que conseguia. Na plateia, Maria Inês torcia por Katarina, por mais que aquilo fosse apenas um treino do cotidiano da guerreira azul, a amiga queria que a outra desse o seu melhor. Perto da piscina, o treinador de Katarina cronometrava o seu tempo. Sua expressão não era a das melhores, pois a garota havia caído nos últimos dias e isso o preocupava muito desde que ela decidiu dar um tempo