Anjo Noturno | Capítulo 08
Entrou na casa pela janela do seu quarto de modo cuidadoso para não fazer nenhum tipo de som alto já que o quarto de sua mãe ficava do outro lado da parede. Se livrou do uniforme com rapidez, não aguentava mais o cheiro de queimado que vinha do tecido, parecia que foi defumado assim como um presunto. Por enquanto, para disfarçar aquele cheiro impregnado no traje, lhe daria um belo banho de perfume e quando pudesse passaria na casa de Leandro, quando o amigo estivesse sozinho, então usaria sua máquina de lavar e a secadora. Depois de vestir um par de roupas velhas que sempre usava para dormir, como estava faminto e com sede, Miguel foi até a cozinha onde, depois de iluminar o pequeno cômodo ao apertar o interruptor, encontrou vários envelopes espalhados pela mesa redonda. Se tratavam de várias contas atrasadas, água, luz, internet e etc. Contas de meses trás, tinha a noção de que as coisas para ele e sua mãe não estavam exatamente boas, porém não tinha a noção que se encontrava naquele nível. Sentou a mesa e ficou revendo e relendo aqueles boletos bancários, enquanto estava brincando de super-herói pela a cidade, sua mãe estava passando por verdadeiros maus bocados. A voz de Combustor começou a martelar em sua mente, lhe afirmando que não passava de uma criança brincando no meio de algo muito sério, entretanto em sua cabeça o “algo sério” não era mais a história pessoal e os motivos pelos quais o incendiário estava fazendo tudo aquilo e sim o problema da sua mãe. Mais um impasse em sua carreira como super-herói? Com certeza. A voz do incendiário começou a ecoar em sua mente, afirmando que ele não passava de uma criança brincando em meio a assuntos de adultos, neste caso os assuntos de adultos se tratava da sua vingança contra os médicos do hospital onde a sua esposa morreu na fila de espera. Quando percebeu o sol já estava nascendo, acabou que não dormiu aquela noite e se encontrava muito cansado para ir à escola. Assim que voltou para seu quarto, mandou uma mensagem para seus amigos dizendo que faltaria aula naquele dia e se jogou na cama, completamente exausto. Miguel se encontrava em um campo florido, nunca esteve naquele lugar, parecia algo lírico, mágico, com certeza se tratava de um sonho e o que mais reforçava a ideia era a de que a última memória do último jovem era de que ele caiu em sua cama. Avistou uma silhueta masculina muito conhecida se aproximava dele, conforme se aproximava ficava mais evidente que se tratava do seu pai. Simão dos Anjos. Simão era um homem alto, cabelos escuros assim como os do filho e caucasiano. Sempre tinha esse sorriso amistoso em seu rosto. — Pai? — perguntou o adolescente, agora com mais noção de que se tratava de nada mais que um sonho. — Nossa, como tu cresceu Miguel, meu filho. — sorriu ao ficar de frente para o filho. — Tanto tempo que não nos víamos assim. — Como você está aqui? — Meu filho, você é mais esperto do que isso, eu sei disso, tu sabe como estou aqui. — Simão riu ao terminar a frase. — Parece que está com sérios problemas. — Pai, eu não sei o que fazer, eu quero muito continuar sendo o Anjo Noturno, mas também quero muito ajudar a mamãe com seus problemas financeiros. Primeiro eu comecei a fazer isso pensando em você e agora faço porque me sinto bem, mas ver a minha mãe com esse problema não me deixa bem! — A sua mãe é bem mais forte do que tu pensa, Miguel, mas concordo contigo sobre ter que ajuda-la com dinheiro. Converse com ela, diga que quer ajudar naquelas contas, não precisa desistir dessa sua outra vida, parece que tu ajuda muita gente. — Prefiro pensar que sim. — disse Miguel. — Também tem dias que não sei se só estou atrapalhando ou sendo uma criança brincando com coisas sérias. Simão riu da última frase. — Não foi, mais ou menos, isso que aquele cara do fogo te disse? — Como você sabe? — Eu sou um fantasma, filho. — o pai riu mais uma vez e em seguida continuou a falar. — Teus inimigos vão querer te atingir, psicologicamente, fisicamente ou até mesmo pessoalmente, cabe a ti deixar que isso te afete ou não. Miguel soltou um suspiro. — Eu vou conversar com a mamãe, claro que não vou citar a parte de eu ser um super-herói, mas vou conversar com ela. — Tenho orgulho de você, Miguel, de verdade. — o pai disse sorrindo de orelha a orelha, Miguel ficou feliz, mas também desconfiado. — Como vou saber se você só não é a minha consciência falando isso? — perguntou o filho. — No fundo você sabe que não. Miguel e o pai se abraçaram. Quando abriu seus olhos sentiu o sol quente da tarde invadir seu quarto, já passavam das quatorze horas, sua cabeça doía por causa do descanso precário. Quando saiu de cima da cama a primeira coisa que fez foi pegar seu celular, muitas mensagens atolavam a tela de notificação, eram dos seus amigos e parceiros da vida heroica. Leandro e Daniela estavam afoitos preocupados e perguntavam, repetidas vezes, com algumas ameaças, se estava tudo bem com Miguel. Ouviu um barulho alto vindo da porta da frente, alguém havia batido, mas o som se assemelhava mais com um soco. Mas duas batidas furiosas. Miguel levantou da sua cama e caminhou até a sala com passos lentos, não tinha certeza do que poderia ser por causa da força com que bateram na porta. Mais uma batida forte e em seguida uma voz conhecida. — Miguel, você está em casa? — era Daniela. O nosso super-herói suspirou e logo abriu a porta, Daniela não estava com uma feição amigável, foi logo entrando na casa. — O que você estava fazendo? Leandro e eu estávamos preocupados com você,
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