Tuhpanger | Episódio 04
Subiu a escada até o alto, vestia seu maio e a sua touca bem colocada para prender seus cabelos. Quando chegou à ponta da tabua pulou três vezes e na quarta vez foi o momento em que se jogou com tudo na água, girou no ar — nesse momento os seus colegas que estavam assistindo comemoraram aquele movimento com gritos de felicidade. — Quando caiu na água foi até o fundo e retornou a superfície, nadou rapidamente até o outro lado da piscina. Muito antes de ter se tornando uma guerreira espiritual, Katarina já havia se tornando uma eximia nadadora. Seu treinador a ajudou a sair da piscina e em seguida lhe entregou uma toalha limpa. — Muito bem, Katarina, mas se você quiser chegar as olimpíadas vai ter que melhorar mais um pouco. Vamos ter que aumentar seu treinamento aí. — disse o treinador. — Aumentar? — Sim, aumentar. Você vai ter que começar a vir de tarde também, depois das suas aulas e treinar até o anoitecer. — Treinar até o anoitecer. — Vai me dizer que estará ocupada? Sim, ela estaria ocupada treinando seus golpes de luta na aldeia perdida e também lutando contra os monstros enviados por Abaçay. Quando Katarina começou ser uma Tuhpanger não pensou que teria que deixar sua carreira de nadadora de lado, porém ela não poderia desistir daquele sonho tão facilmente assim. Estava tão perto de conseguir o que tentou sonhou. Daria um jeito de conciliar a sua vida de atleta, sua vida de estudante e os seus momentos de heroína quando estivesse batalhando contra o exército de Abaçay. — Então, o que você tem para me dizer? — questionou o treinador visivelmente sem paciência. — Eu vou conseguir, pode confiar em mim. — respondeu a garota loira cheia de confiança por fora e cheia de incertezas por dentro. … Cuca estava analisando as estátuas da caverna, escolheria o próximo monstro que atacaria e tentaria derrotar os guerreiros espirituais em breve. Tinham muitas ótimas opções, mas teria que ser certeira para que os Tuhpanger caíssem de vez. A feiticeira sabia que não poderia decepcionar o seu mestre, pois corria o risco de ser apagada da existência se a derrota anterior se repetisse. Lentamente se aproximou da estátua que lembrava um homem meio peixe. — Você vai ser o próximo! — apontou seu cajado para a estátua e os raios envolveram a pedra em forma humanoide, aos poucos a estátua foi dando lugar a um monstro que ao mesmo tempo em que lembrava um peixe trazia vários detalhes humanos. — Estou vivo! — gritou a monstruosidade. — Sim, você está vivo. Ipupiara, você foi trazido ao mundo novamente para servir ao nosso mestre Abaçay mais uma vez. — Abaçay está vivo? — perguntou Ipupiara surpreso. — Sim, precisamos que você derrote os protetores de Pindorama! O ser meio peixe e meio humanoide bateu seus punhos com garras e em seguida soltou uma risada recheada de satisfação. Disse: — Pode deixar comigo, Cuca! Os animais espirituais vão se arrepender de terem juntado uma nova equipe de Tuhpangers. — Ótimo. Mas antes que você vá, venha comigo. A feiticeira levou Ipupiara até o seu salão, onde seu caldeirão se localizava e lhe mostrou a imagem da guerreira azul. — Essa é a protegida do espirito do boto, uma garota que gosta muito de nadar, mas parece que para ela entrar em uma competição moderna vai ter que se dedicar mais a isso do que ser uma tuhpanger, então, eu quero que comece desmoronando a confiança dela. — Como vou fazer? — o monstro questionou confuso. — Isso é um problema seu. — após dar de ombros Cuca foi embora, deixando Ipupiara pensativo. … Quando a perna de Inês voou em direção de Miguel, o guerreiro verde conseguiu desviar se abaixando e, então, deu uma rasteira na guerreira amarela que caiu de costas no chão de terra. Ao ficar de pé novamente, Miguel tentou acertar um ataque na mais velha que segurou o golpe do mais novo com seus pés e abriu sua guarda, Inês acertou um belo chute no peitoral de Miguel e assim o jogou contra a parede. Inês levantou do chão com um pulo. — Já vai desistir? — disse a tuhpanger da cor amarela em um tom de desafio. — Nosso treino tem que mostrar resultado, assim você não vai ter nenhum. — Vamos ver… Claro que não! — o tuhpanger verde riu e mais uma vez se colocou em posição de ataque, os dois voltaram a batalhar. Do outro lado da aldeia perdida, Rafael se encontrava treinando com um boneco de madeira, ainda precisa se acertar com seu espirito animal por mais que seu preconceito sobre a cor já havia sido vencido. Somente Joaquim e Kataria que ainda não haviam chegado para o treinamento diário e isso estava deixando Iara preocupada, pois qualquer falha no equilíbrio entre os protetores espirituais poderia acarretar em uma vitória para Abaçay. — Será que Joaquim e Katarina vão demorar? — perguntou a indígena em voz alta. — Daqui a pouco ele estão aí. — disse Rafael após dar uma pausa em seu treino. — Não consigo deixar de me preocupar… — de repente Joaquim entra correndo, mas a protetora da cor azul não estava ao seu lado. — E Katarina? — perguntou Iara rapidamente. — Ela não vem. — respondeu Joaquim normalmente. — Como assim? — Iara já estava nervosa. — É, como assim a Katarina não vem treinar? — perguntou Inês se aproximando com Miguel logo atrás, o adolescente também fez um questionamento: — Ela tá doente? — Não, ficou treinando na piscina para as competições. O treinador dela disse que se ela quisesse chegar as olímpiadas precisaria treinar mais do que já estava. — Mas Katarina também tem um dever com Pindorama. — disse Iara. — Mas é o sonho dela. — Joaquim falou se aproximando do outro boneco de madeira para treinar. A fonte de água da aldeia começou a borbulhar,
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