Tuhpanger | Episódio 12
Antes de tudo, eram tempos de paz… Todos na nossa aldeia viviam suas vidas em paz, perfeita harmonia, de vez enquanto havia desentendimento entre os demais povos, mas no fim, as brigas acabavam e não duravam muito. Se eu fechar meus olhos, ainda posso sentir os vento doce daquela época, ouvir o canto dos pássaros e o som da natureza selvagem… Era tudo tão lindo…Assim como eu, aliás, como vocês já sabem… Ubiratã era um dos seis guerreiros que protegiam a aldeia em tempos de guerra, fomos escolhidos como os principais protetores porque nossas habilidades no campo de batalha eram iluminadas e guiadas pelos animais protetores do nosso povo. Foi por causa dessa ligação que mais tarde fomos escolhidos para sermos guerreiros espirituais, quando Abaçay começou a avançar seus ataques por toda Pindorama.Só que Abaçay e eu éramos muito mais do que apenas colegas de equipe… Fomos prometidos, assim que nascemos, um para o outro. Desde de quando éramos pequenos bebês, nossos pais já sabiam que um dia nossos espíritos se tornariam um… O que vocês atualmente chamam de casamento. Ubiratã e eu estávamos prontos para unir nossos espíritos quando aconteceu o primeiro ataque do Abaçy e também quando foi pedida a ajuda dos espíritos protetores, quando ganhamos nossos poderes de Tuhpanger.Então, aconteceu a última batalha contra Abaçay… Como vocês bem sabe, meus amigos e eu usamos nossas últimas forças vitais para aprisionar o demônio em um lugar que, em teoria, ninguém poderia encontra-lo. Foi assim que eu fiquei presa nesse santuário, que chamamos de Aldeia Perdida, nesse lugar onde o tempo não passa. Só que o Ubiratã havia sido sequestrado um pouco antes da batalha final, seu corpo ficou preso também em um lugar onde o tempo não passava, apenas esperando o momento para ser usado contra nós, como uma arma secreta. A noite caiu, enquanto os outros guerreiros foram descansar, Maria Inês ficou acordada e pensativa sobre a história que Iara contou ao grupo. Não conseguia compreender como duas almas que pareciam destinas uma a outra podiam ficar separadas, Ubiratã tinha que voltar para o lado dos Tuhpanger e assim os dois ficarem juntos. Além disso, Maria Inês tinha certeza de que os dois eram almas gêmeas e se tivessem morrido na época da batalha, teriam reencarnado para ficarem juntos.A guerreira amarela possuí uma forte crença na doutrina espírita.— O que está fazendo aqui?Maria Inês se virou ao ouvir aquela voz, sorriu quando viu a figura de Rafael se aproximando.— Não foi para casa? — o guerreiro da harpia perguntou.— Não… Estou sem sono… — respondeu Maria Inês e em seguida suspirou. — Na verdade, eu estava pensando sobre a história de Iara… Acho que deveríamos tentar fazer com que Ubiratã voltasse para o nosso lado.— Como? Ele foi corrompido.— Eu sei, mas eu acho que se a gente lembrar ele das histórias que viveu ao lado de Iara… Ele pode retornar… Se eles se amam de verdade.Rafael fez uma careta que Maria não percebeu, para o bem dele. Não acreditava em histórias de amor, amor verdadeiro ou amor à primeira vista, acreditava, na verdade, que o sentimento de se apaixonar era puramente físico e não metafísico.— Qual sua ideia? — perguntou o guerreiro rosa.— Não sei, talvez eu espere a próxima vez que ele atacar e tento conversar… Chamar ele sozinha para isso, parece meio burrice.— Vamos descansar, quem sabe o que nos espera amanhã. — disse Rafael e em seguida a guerreira amarela concordou, juntos, os dois deixaram a aldeia perdida. Enquanto isso, na caverna de Abaçay… Adentrando a escuridão dos corredores da caverna, poderíamos chegar a uma das várias salas reservadas a um dos ajudantes do espírito maligno. Solaris estava, completamente sozinho, em seu canto. Refletindo sobre os últimos acontecimentos envolvendo a batalha com os Tuhpanger e a chegada do guerreiro verde com novos poderes.Então, o soldado do sol caminhou até a sala onde a feiticeira ficava maquinando suas próximas ideias para acabar com os guerreiros espirituais.— O que você quer? — perguntou Cuca.— Não ficou preocupada quando viu o guerreiro verde com novos poderes?— Não, claro que não… Afinal temos o guerreiro laranja do nosso lado… Nenhum poder novo vai derrota-lo.Solaris soltou uma risada profunda e debochada.— Será? Acredito que com a nova ajuda que eles estão conseguindo, seu guerreiro laranja vai ser derrotado facilmente… Talvez, até mesmo retornar para o lado deles.Cuca se virou dramaticamente, ofendida.— Acredita que minha magia é tão fraca assim?— Não, mas acredito que nossos inimigos estão ganhando mais força…Cuca pensa no que ouviu, o soldado tinha razão em ficar preocupado com a iminente derrota deles, mas, de repente a bruxa lembrou de algo e em seguida soltou uma risada que deixou o outro confuso.— O que é isso bruxa?— Lembrei de algo… O medidor de energia está quase cheio, não tem como nosso mestre perder. Precisamos dar o último golpe de mestre… Assim, Abaçay estará pronto para dominar toda Pindorama e depois… O Mundo inteiro!— Então, seu reino de trevas irá começar. Qual o plano?Cuca sorriu, passando sua mão sobre seu queixo. Então, começou a dizer:— Vamos precisar da ajuda do guerreiro laranja… Katarina não lembreva qual foi a última vez em que foi até a praia apenas para relaxar. Apesar dos ataques do exército de Abaçay, as pessoas não tinham esquecido suas vidas. Tudo continuava normal até o próximo monstro aparecer. Sentada em frente ao mar azul, a garota se perguntava quando tudo aquilo iria terminar e assim poder retornar para sua rotina de treinos, sua vida normal. Mas será que ela conseguiria ter uma vida normal depois disso tudo ou ficaria com algum tipo de trauma de guerra? Era algo a se preocupar, talvez ela fosse procurar uma psicóloga depois de tudo.— Está bem? — disse Joaquim sentado ao lado da garota loira.Katarina sorriu e em seguida concordou com sua cabeça.— Sim, estava pensando qual foi a última vez em que eu fiquei assim… Parada, pensando e pensando… — suspirou. — Acho que sei, foi
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