Tuhpanger

Tuhpanger | Episódio 12

Antes de tudo, eram tempos de paz… Todos na nossa aldeia viviam suas vidas em paz, perfeita harmonia, de vez enquanto havia desentendimento entre os demais povos, mas no fim, as brigas acabavam e não duravam muito. Se eu fechar meus olhos, ainda posso sentir os vento doce daquela época, ouvir o canto dos pássaros e o som da natureza selvagem… Era tudo tão lindo…Assim como eu, aliás, como vocês já sabem… Ubiratã era um dos seis guerreiros que protegiam a aldeia em tempos de guerra, fomos escolhidos como os principais protetores porque nossas habilidades no campo de batalha eram iluminadas e guiadas pelos animais protetores do nosso povo. Foi por causa dessa ligação que mais tarde fomos escolhidos para sermos guerreiros espirituais, quando Abaçay começou a avançar seus ataques por toda Pindorama.Só que Abaçay e eu éramos muito mais do que apenas colegas de equipe… Fomos prometidos, assim que nascemos, um para o outro. Desde de quando éramos pequenos bebês, nossos pais já sabiam que um dia nossos espíritos se tornariam um… O que vocês atualmente chamam de casamento. Ubiratã e eu estávamos prontos para unir nossos espíritos quando aconteceu o primeiro ataque do Abaçy e também quando foi pedida a ajuda dos espíritos protetores, quando ganhamos nossos poderes de Tuhpanger.Então, aconteceu a última batalha contra Abaçay… Como vocês bem sabe, meus amigos e eu usamos nossas últimas forças vitais para aprisionar o demônio em um lugar que, em teoria, ninguém poderia encontra-lo. Foi assim que eu fiquei presa nesse santuário, que chamamos de Aldeia Perdida, nesse lugar onde o tempo não passa. Só que o Ubiratã havia sido sequestrado um pouco antes da batalha final, seu corpo ficou preso também em um lugar onde o tempo não passava, apenas esperando o momento para ser usado contra nós, como uma arma secreta. A noite caiu, enquanto os outros guerreiros foram descansar, Maria Inês ficou acordada e pensativa sobre a história que Iara contou ao grupo. Não conseguia compreender como duas almas que pareciam destinas uma a outra podiam ficar separadas, Ubiratã tinha que voltar para o lado dos Tuhpanger e assim os dois ficarem juntos. Além disso, Maria Inês tinha certeza de que os dois eram almas gêmeas e se tivessem morrido na época da batalha, teriam reencarnado para ficarem juntos.A guerreira amarela possuí uma forte crença na doutrina espírita.— O que está fazendo aqui?Maria Inês se virou ao ouvir aquela voz, sorriu quando viu a figura de Rafael se aproximando.— Não foi para casa? — o guerreiro da harpia perguntou.— Não… Estou sem sono… — respondeu Maria Inês e em seguida suspirou. — Na verdade, eu estava pensando sobre a história de Iara… Acho que deveríamos tentar fazer com que Ubiratã voltasse para o nosso lado.— Como? Ele foi corrompido.— Eu sei, mas eu acho que se a gente lembrar ele das histórias que viveu ao lado de Iara… Ele pode retornar… Se eles se amam de verdade.Rafael fez uma careta que Maria não percebeu, para o bem dele. Não acreditava em histórias de amor, amor verdadeiro ou amor à primeira vista, acreditava, na verdade, que o sentimento de se apaixonar era puramente físico e não metafísico.— Qual sua ideia? — perguntou o guerreiro rosa.— Não sei, talvez eu espere a próxima vez que ele atacar e tento conversar… Chamar ele sozinha para isso, parece meio burrice.— Vamos descansar, quem sabe o que nos espera amanhã. — disse Rafael e em seguida a guerreira amarela concordou, juntos, os dois deixaram a aldeia perdida. Enquanto isso, na caverna de Abaçay… Adentrando a escuridão dos corredores da caverna, poderíamos chegar a uma das várias salas reservadas a um dos ajudantes do espírito maligno. Solaris estava, completamente sozinho, em seu canto. Refletindo sobre os últimos acontecimentos envolvendo a batalha com os Tuhpanger e a chegada do guerreiro verde com novos poderes.Então, o soldado do sol caminhou até a sala onde a feiticeira ficava maquinando suas próximas ideias para acabar com os guerreiros espirituais.— O que você quer? — perguntou Cuca.— Não ficou preocupada quando viu o guerreiro verde com novos poderes?— Não, claro que não… Afinal temos o guerreiro laranja do nosso lado… Nenhum poder novo vai derrota-lo.Solaris soltou uma risada profunda e debochada.— Será? Acredito que com a nova ajuda que eles estão conseguindo, seu guerreiro laranja vai ser derrotado facilmente… Talvez, até mesmo retornar para o lado deles.Cuca se virou dramaticamente, ofendida.— Acredita que minha magia é tão fraca assim?— Não, mas acredito que nossos inimigos estão ganhando mais força…Cuca pensa no que ouviu, o soldado tinha razão em ficar preocupado com a iminente derrota deles, mas, de repente a bruxa lembrou de algo e em seguida soltou uma risada que deixou o outro confuso.— O que é isso bruxa?— Lembrei de algo… O medidor de energia está quase cheio, não tem como nosso mestre perder. Precisamos dar o último golpe de mestre… Assim, Abaçay estará pronto para dominar toda Pindorama e depois… O Mundo inteiro!— Então, seu reino de trevas irá começar. Qual o plano?Cuca sorriu, passando sua mão sobre seu queixo. Então, começou a dizer:— Vamos precisar da ajuda do guerreiro laranja… Katarina não lembreva qual foi a última vez em que foi até a praia apenas para relaxar. Apesar dos ataques do exército de Abaçay, as pessoas não tinham esquecido suas vidas. Tudo continuava normal até o próximo monstro aparecer. Sentada em frente ao mar azul, a garota se perguntava quando tudo aquilo iria terminar e assim poder retornar para sua rotina de treinos, sua vida normal. Mas será que ela conseguiria ter uma vida normal depois disso tudo ou ficaria com algum tipo de trauma de guerra? Era algo a se preocupar, talvez ela fosse procurar uma psicóloga depois de tudo.— Está bem? — disse Joaquim sentado ao lado da garota loira.Katarina sorriu e em seguida concordou com sua cabeça.— Sim, estava pensando qual foi a última vez em que eu fiquei assim… Parada, pensando e pensando… — suspirou. — Acho que sei, foi

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Tuhpanger | Episódio 11

Os cinco guerreiros espirituais estavam ali, reunidos na aldeia perdida de frente para Iara. Antes de chamar aquela reunião, a indígena fez uma extensa pesquisa sobre os espíritos protetores da floresta, ela sabia que existia uma maneira de conseguir ajuda para os Tuhpanger, mas se tratava de algo que nunca havia tentado contatar aos protetores espirituais da região. — Por que nos chamou aqui, Iara? — perguntou Joaquim de braços cruzados e com um tom de interesse na sua voz. — Eu fiquei pensando desde a batalha mais recente de vocês contra o guerreiro laranja… Então, eu pensei em uma solução para esse problema… — Uma solução? — perguntou Katarina com o mesmo tom de interesse do guerreiro vermelho. — A solução é encontrar novos espíritos protetores que, na primeira batalha, não se juntaram a nós. — explicou Iara. O grupo de jovens adultos trocaram olhares entre eles, desconfiados da informação que havia acabado de ser jogada como se não fosse nada demais. O primeiro que decidiu falar alguma coisa foi o guerreiro cor-de-rosa, Rafael perguntou o seguinte: — E por que esses espíritos protetores não aceitaram participar da primeira batalha? — Porque a princípio apenas seis guerreiros eram o suficiente para aprisionar Abaçay, mas agora parece que vamos precisar de mais ajuda. — explicou a indígena com seu tom de voz calmo de sempre. Então, ela caminhou até sua fonte mágica, onde apareceu um caminho para uma zona florestal no centro-oeste do Brasil. — Nesse lugar, vocês encontraram um espírito guerreiro. Devem o convencer de que sua ajuda é necessária para acabar com este mal. — Tudo bem, eu vou. — disse Joaquim olhando para a fonte mágica. — Infelizmente não é você quem decide, guerreiro vermelho. — em seguida Iara olhou para a fonte e passou sua mão acima dela, a água começou a brilhar e mostrou a imagem do guerreiro verde e do guerreiro cor-de-rosa. — Os espíritos protetores fizeram sua escolha. Rafael e Manuel vão encontrar o espírito da capivara para que ela se junte a nós. — disse sorrindo. Todos olharam para Manuel que parecia confuso e surpreso com aquilo, ele não esperava ser escolhido para nada e muito menos para uma missão tão importante como aquela, ainda mais porque algumas horas ele estava sendo o alvo número um dos vilões para acabar com os guerreiros. O peso daquela responsabilidade fez com que suas pernas tremessem como vara de bambu, mas ele logo tentou mantê-las firmes para que ninguém desconfiasse do seu medo de ser um peso para a equipe, talvez por esse motivo tenha aceitado tão bem a nova missão. Então, foi decidido que enquanto Miguel e Rafael iam buscar a ajuda de mais um espírito protetor, os outros guerreiros ficariam em prontidão caso Ubiratã e o exército de Abaçay voltassem a atacar as pessoas. Iara torcia para que aquele plano desse certo e que a ajuda dos outros animais servisse para trazer o sexto guerreiro de volta para o lado deles. Ela não iria suportar se perdesse Ubiratã mais uma vez, sabendo que essa segunda vez seria para sempre. Enquanto isso, na caverna em que Abaçay fez de seu quartel general, Solares e o guerreiro laranja discutiam a falha do plano de atacar o alvo mais fácil dos Tuhpanger. Como sempre, entre os dois, a discussão estava acalorada, a cada hora que passava convivendo com a presença de Ubiratão, Solares o odiava mais por ter roubado seu lugar ao lado de Abaçay. Para um guerreiro vindo do velho mundo, aquilo se tratava de um belo insulto. Por outro lado, Cuca sabia que os poderes do seu monstro haviam sido desperdiçados, um ser maligno que consegue fazer as pessoas se odiarem, despertar os sentimentos mais desagradáveis em um coração, inveja, raiva, avareza e tantos outros. — Infelizmente não fizeram bom uso de suas habilidades, meu querido. — disse a feiticeira de frente para seu monstro. — O que a senhora quer dizer com isso, mestra? — perguntou o monstro. — Bem… Por que você não vem comigo? Vamos coletar mais energia negativa para o Mestre Abaçay. Dessa forma, ele estará mais forte e pronto para derrotar os Tuhpanger de uma vez por todas e conquistar Pindorama… Depois, o esse mundo inteiro! — Claro, senhora! Mas, antes… — Sim? — Qual meu nome? Cuca bufou, mas logo em seguida respondeu: — Seu nome não é importante, mas se quiser nomear a si mesmo, não me importo… Agora… Vamos, temos muito trabalho a fazer. Com seu cajado, a feiticeira abriu um portal direto para a orla do Rio de Janeiro. Miguel e Rafael foram transportados para a região em que o espírito lendário estaria. Se tratava de uma região do centro-oeste que ficava longe da cidade e perto da natureza, afastada o suficiente para preservar algumas coisas. Os dois estavam um ponto alto, ao fundo, de um lado podiam ver o começo da vida urbana e do outro lado, podiam ver o que restou da natureza. — E agora? — perguntou Rafael. — Como vamos fazer para chamar a atenção desse espírito lendário? Miguel ficou em silêncio, pensando por alguns segundos. — Acho que… Assim como a aldeia perdida, deve haver algum portal escondido. Invisível. — Como vamos fazer para ver algo que não pode ser visto? Miguel levantou sua mão como um personagem de anime quando tem uma ideia. — Se a gente se transformar… Talvez, com a ajuda dos nossos espíritos protetores, poderemos encontrar algum caminho. O mais velho deu de ombros, a teoria fazia um pouco de sentido. — Vamos fazer, então. — respondeu Rafael e em seguida pegou seu celular, abrindo o aplicativo de transformação. Miguel fez o mesmo. Depois de duas luzes, rosa e verde, os dois já estavam vestindo seus trajes de guerreiros espirituais. Um caminho iluminado por algo que parecia uma aurora boreal apareceu na frente dos dois rapazes, guiando para dentro da natureza a frente deles. O Verde e o Rosa trocaram olhares, então, concordaram com a

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Tuhpanger | Episódio 10

Depois de sofrerem uma derrota, a primeira desde que se tornaram guerreiros espirituais, os jovens precisavam passar um tempo em paz esfriando suas cabeças. Para isso eles se reuniram na casa de Katarina. Essa era a primeira vez que eles iam conhecer a casa de um deles. Se tratava de uma sala de estar não muito fora do comum, um sofá em frente a uma televisão, a mesa para fazer as refeições alguns metros de distância ao lado da entrada para a cozinha, um tapete no chão, uma poltrona e a estante em que se encontrava o aparelho televisivo com quadros, livros e DVDs. Estavam presentes: Maria Inês, Miguel e Rafael. — Por que Joaquim não está aqui? — perguntou Katarina enquanto servia as bebidas para os seus amigos. — Ele quis ficar treinando na aldeia perdida. — respondeu a guerreira amarela. — Eu acho que ele não vai voltar para a vida dele ainda… — comentou Rafael. — Como você sabe disso? — Inês questionou o amigo. — Ele me disse. Falou que não ia parar de treinar até derrotar o sexto guerreiro espiritual. Eles ficaram em silêncio. Não tinham mais nada para conversar, claro que a preocupação sobre como lidariam com a missão de agora em diante com a presença do guerreiro laranja existia, entretanto, naquele momento o cansaço era maior do que a preocupação. Necessitavam recuperar suas energias, levantar a autoestima, para poder lutarem novamente num futuro próximo. Enquanto isso, na Aldeia Perdida, Joaquim se concentrava em seu treinamento. A poeira que subia do chão a cada movimentação dos seus pés voando com o chute contra o boneco de treinamento feito de palha, grudava em seu corpo suado, nos seus músculos rígidos pelo esforço físico. O guerreiro vermelho não era o único a estar treinamento nesse momento. Na caverna em que Abaçay se encontrava preso, Ubiratã também treinava se utilizando dos soldados sem cérebro. Ainda vestindo seu traje de guerreiro espiritual laranja, o indígena usava sua espada e o seu escudo da sucuri para desferir seus golpes. Uma coisa havia em comum entre Ubiratã e Joaquim, além do fato de estarem treinando para um derrotar o outro, ambos haviam a determinação dentro deles para não falharem em suas missões pessoais. Sabiam que desde o segundo em que seus olhares se cruzaram, no primeiro encontro, uma rivalidade nasceu. Mais tarde… As tochas das paredes de terra se encontravam mais fortes, suas chamas estavam mais cheias e altas, principalmente daquelas que se encontravam mais perto de Abaçay. Solaris, Cuca e Ubiratã estavam de frente para o demônio, por causa da luz do fogo, suas sombras se ficavam gigantescas contra a parede. Os três soldados esperavam o discurso do seu mestre. — Acho que pela primeira vez estou genuinamente orgulhoso. — começou o chefe a discursar. — Pela primeira vez, saímos do campo de batalha sem uma derrota. É hora da gente fazer um novo ataque, pois aqueles miseráveis ainda não devem ter se recuperado do baque que sofreram ontem. Então, eu quero saber se vocês possuem algumas ideias… — Mestre… — disse Ubiratã se aproximando, ajoelhou em frente ao demônio. — Diga. — Eu quero começar atacando os Tuhpanger pelo guerreiro mais fraco, deixando o vermelho cada vez mais sem aliados. Para isso, pensei em começar pelo guerreiro verde. — o homem indígena explicou seu plano. — Eu posso criar um monstro novo. — disse Solaris em seguida. — Por que você? — questionou Cuca com um tom de repreensão. — Afinal, foi eu quem trouxe Ubiratã de volta a vida. Eu devo criar o próximo monstro! — Cale a boca, sua bruxa! Sabe bem que seus monstros são fracos! — gritou o guerreiro do sol. — Diga isso ao seu último! — rebateu a antiga feiticeira. — CALEM A BOCA! — gritou Abaçay. — Muito bem… Cuca, crie o próximo monstro e quanto a você, Solaris, fará dupla com Ubiratã. Quero todos alinhados, para juntos derrotarmos os guerreiros espirituais! No salão das estátuas, Cuca observava com atenção qual iria escolher para dar vida novamente. Solaris entrou no local, seus braços cruzados e passos lentos, mas, ao mesmo tempo, duros, denunciando que a julgava a medida em que se aproximava. — Qual das suas aberrações você vai escolher, feiticeira? — perguntou o guerreiro do sol, reforçando seu julgamento através do tom da sua voz. — Estava em dúvida, mas eu já sei! Um monstro que vai atacar o ser humano onde fica mais frágil quando sofre danos. Sabe, Solaris, seres humanos são seres que precisam da companhia de outro, animais fracos que só funcionam em sociedade e em pares… O meu próximo monstro vai acabar com o amor! Cuca girou seu cajado mágico, ele brilhava mais intensamente conforme girava. Parou deixando a parte superior para cima e dali um raio verde atingiu uma estátua. A primeira vista pareceu que a quebrou em vários pedaços, mas quando o brilho se dissipou, revelou uma criatura meio humanoide, com longos cabelos negros, mãos e pés gigantes e olhos vermelhos. O guerreiro do sol observou com atenção aquele ser que surgiu em sua frente. Pousou sua mão sobre seu queixo, ainda com curiosidade. — Espero que dê certo. Ele vai servir para distrair os outros quatro enquanto Ubiratã e eu cuidamos do guerreiro verde! … O trampolim não estava tão longe assim da água, apenas alguns centímetros. Usava sua touca e o seu maiô azul-claro, levantou seus braços para cima e respirou fundo, se jogou na piscina indo até o fundo e rapidamente retornando a superfície, começando a nadar o mais rápido que conseguia. Na plateia, Maria Inês torcia por Katarina, por mais que aquilo fosse apenas um treino do cotidiano da guerreira azul, a amiga queria que a outra desse o seu melhor. Perto da piscina, o treinador de Katarina cronometrava o seu tempo. Sua expressão não era a das melhores, pois a garota havia caído nos últimos dias e isso o preocupava muito desde que ela decidiu dar um tempo

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Tuhpanger | Episódio 09

Daquele lugar era possível ter uma visão surpreendente, uma visão que qualquer humano poderia sonhar, mas muitos não poderiam realizar. Parecia enxergar o mundo de cima mesmo que a Aldeia Perdida não ficasse flutuando no céu do continente, mas, sim, em uma dimensão separada. Havia um lugar especial que, desde a chegada dos cinco Tuhpanger, era o mais calmo entre os cantos da Aldeia Perdida. Desde então, Joaquim usava essa região especial, o topo de uma árvore que ao lado das outras formava um suporte natural de galhos com força o suficiente para segurar o peso do corpo de qualquer ser humano. Como Maria Inês, a guerreira amarela, sabia que o guerreiro vermelho estaria ali em cima, por esse motivo levou para ele um prato de comida. — Achei que estaria com fome. — sorriu a portuguesa. Joaquim olhou para baixou, sorriu e em seguida desceu com um pulo. — Obrigado. — agradeceu e pegou o prato, sentou no chão para comer. A guerreira amarela continuou o observando, precisava perguntar porque já havia percebido, desde a semana passada, que alguma coisa em sua vida pessoal havia acontecido. — Por que você escolheu não ter uma cópia? — Maria Inês perguntou nervosa por medo de passar algum limite que talvez ainda existisse entre eles. Joaquim pensou enquanto mastigava, mas respondeu depois de engolir. — É que eu precisava ficar longe de tudo para pensar sobre um assunto. — Quer conversar sobre? — a jovem perguntou e sentou ao lado do rapaz, por sua vez e para a surpresa dela, ele sorriu e deixou escapar um riso misturado com um suspiro. — Acho que eu preciso mesmo. — vez uma pequena pausa, mas logo continuou. — Tem essa amiga que quando eu conheci, a primeira vez que vi ela, me apaixonei rapidamente. Só que ela acabou escolhendo o meu melhor amigo, Jonathan. Aliás, o nome dela é Roberta. — Joaquim olhou para cima, seu olhar ganhou um relance de preocupação e medo, uma mudança que Maria havia notado rapidamente. — Acontece que sempre fui apaixonado por ela, às vezes pouco e outras vezes muito, mas nunca quis interferir na relação dos dois, afinal, eram meus amigos. O meu melhor amigo desde minha infância. Só que agora uma coisa mudou… — Mudou o quê? — perguntou a guerreira do espírito do Jacaré. — A Roberta me viu fazendo a transformação, ela disse que me ver sendo um Tuhpanger fez ela ter a certeza de que sempre gostou de mim… A reação de Maria Inês foi apenas uma, ela apenas soltou uma risada e quando notou que Joaquim havia ficado sem jeito, recuperou a pose o mais breve que podia. — Desculpa, mas é que me pareceu… — Interesse dela? — Sim, desculpa… — disse a garota em tom baixo. — Tudo bem. Eu também notei isso. Quer dizer, ela ficou com o Jonathan porque ele era mais rápido na pista de corrida… Maria pousou sua mão sobre o ombro de Joaquim, o guerreiro vermelho, primeiro olhou para a mão da portuguesa, em seguida desviou seu olhar para os olhos dela. Nunca tinha notado como aqueles olhos castanhos eram bonitos, brilhantes como uma pedra preciosa, como uma estrela. Na verdade nunca havia notado a beleza dela. Para Maria Inês aconteceu a mesma coisa, ela nunca tinha notado a beleza no olhar dele, nem o charme que envolvia os traços de Joaquim. Estava acontecendo algo entra os dois daquele momento, mas eles ainda não saberiam descrever. — Gente! O Rafael tá chamando para voltarmos a treinar! — entrou Miguel naquele canto, despertando os dois do transe. Eles levantaram rapidamente e logo acompanharam o adolescente até o local da Aldeia Perdida em que os treinamentos estavam sendo realizados. … Sobre a pedra gelada da caverna que formava uma espécie de maca se encontrava deitado um homem inconsciente, um jovem, belo e forte rapaz indígena. A pele em um tom bronzeado terroso e longos cabelos negros, as pinturas ainda se encontravam presentes na pele e nos músculos do seu corpo de guerreiro. O observando, não muito longe, Cuca o estudava de uma maneira detalhada. Não podia acreditar que havia conseguido resgatar aquele guerreiro espiritual e de como ele seria útil para a queda dos seus inimigos. — Você será muito útil, Ubiratã… — sussurrou a bruxa animada com a situação. — Espero que ele seja útil, assim poderei sair dessa caverna e governar Pindorama. — disse Abaçay entrando no local, rapidamente a criatura com caracterizaras de um jacaré se curvou. — Mestre Abaçay… Como pode ver conseguir resgatar o humano de sua prisão, o feitiço já foi lançado e assim que ele acordar, nos obedecerá em tudo. — Tem certeza que os seus poderes funcionarão? — perguntou o demônio nada confiante. — Não me adianta um guerreiro espiritual que não pode usar seus poderes. — Tenho certeza de que ele conseguirá usar seus poderes, afinal, os seus animais protetores estão ao seu lado não importa em que lado esse guerreiro esteja. Ainda mais em uma situação tão especial quanta essa. Ubiratã acordará acreditando que ele sempre esteve ao nosso lado, colocando seus animais no mesmo feitiço. — Animais? — perguntou Abaçay curioso. — Sim, o sexto guerreiro luta em batalha com dois animais, sucuri e a puma. — respondeu a Cuca. — Ótimo, a cada nova informação fico mais confiante de que essa foi a sua melhor ideia, então, trate de não fazer com que tudo seja arruinado por aqueles cinco! — Não será, mestre. Ainda levará um tempo para que o nosso guerreiro espiritual acorde, então, seria bom mandar Solaris para deixar os bobocas ocupados. — Boa ideia, vou atrás do estrangeiro… … A Cinelândia se encontrava bem movimentada, como de costume, as pessoas estavam ali nos bares ou apenas passando. Um típico movimento para qualquer horário na praça. De repente, um portal se abre no meio da praça e dele saem Solares e os peões de Abaçay, deixando o povo que estava ali alarmado.

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Tuhpanger | Episódio 08

O sol brilhava forte naquela tarde no Rio de Janeiro. Joaquim se encontrava na pista de corrida da sua universidade e ao seu lado estava o seu treinador. O guerreiro vermelho vestia um traje próprio para correr, claro que todo na cor vermelha. Da camisa regata com o número 1 estampado na frente até os tênis de corrida vermelho e preto. Depois de vários dias sem conseguir correr por causa das suas batalhas como guerreiro espiritual, ser o líder demandava ele ficar um tempo na Aldeia Perdida, Joaquim poderia conseguir quebrar ser último recorde utilizando seus poderes. Ele sabia que isso não era o certo a se fazer, a tentação era grande, mas sua vontade de continuar sendo um guerreiro espiritual era maior. Roberta e Jonathan estavam sentados na arquibancada, observando o treino do amigo. — Sabe o porquê do Joaquim estar atrasado com seus treinos? — perguntou a garota ao namorado. O rapaz nega com a cabeça, responde: — Não sei. Ele anda bem estranho ultimamente para falar a verdade, às vezes falta aulas. Ele nunca foi disso. Fica horas sumido. — Será que ele tá com problemas dentro de casa? — perguntou Roberta. — Não sei… Não sei dizer, Roberta. — Mas ele é o seu amigo, Joanthan! — Também é o seu amigo. — disse o rapaz rapidamente. — Mas vocês se conhecem há mais tempo. — Eu disse, ele anda estranho. Ultimamente tá muito reservado, na dele, assim, entende? Não conversa muito. Não sei o que tá acontecendo com o Joaquim. Roberta fica observando a pista de corrida. Quando Joaquim cruza a linha de chegada, o Treinador congela o seu conômetro. Faz uma cara de insatisfação que o rapaz rapidamente reconhece na época em que começou. — Não fui bem? — perguntou Joaquim. — Não. — respondeu o Treinador. — Na verdade, você fez dois minutos menos do que havia feito antes… — Droga! — exclamou em voz baixa o rapaz. — Isso deve ser porque você tem faltado aos treinos, Joaquim. Tem que continuar treinando, se não… — Não se preocupe, eu vou continuar treinando, mas acontece que estou com uns problemas… — o nosso herói continuou se explicando ao seu superior. Na arquibancada, Roberta notou que o treino daquela tarde havia terminado. — Acho que ele terminou, vamos lá falar com ele… — disse ela ficando em pé. — Falar sobre o quê? — Jonathan perguntou confuso. — Vamos descobrir o que está acontecendo, Jonathan… O namorado suspira e levanta também, o casal deixa a arquibancada rumo à pista de corrida. — Entendeu, Joaquim? — perguntou o Treinador, estava muito sério. — Sim, entendi. — o celular do rapaz apita, várias vezes. Ele pega o aparelho, o mais velho continua falando. São mensagens do aplicativo que usa para invocar seu espírito protetor e se transformar. Agora, quando algo acontecia na cidade, eles recebiam uma aviso. — Desculpa, treinador, mas eu tenho que ir. — Para onde? — É uma coisa que tá acontecendo… Com a minha mãe… Joaquim sai correndo, nesse mesmo momento Roberta e Jonathan acabaram de chegar na pista de corrida. — Para onde o maluco foi? — perguntou Jonathan. — Parece que teve um problema e saiu correndo. — De novo? — perguntou Roberta. — Não vai ficar assim… A garota sai correndo pela mesma direção que o amigo usou para escapar. Em uma praça da cidade, os outros quatro guerreiros já batalhavam contra o monstro. Esse monstro era feito de pinche da rodovia e concreto e mais algumas outras coisas da cidade como, por exemplo: placas de trânsito, canos de ferro e etc. Ele recolhia a energia negativa das pessoas as deixando paralisadas como em engarrafamento, nesse momento, muita energia negativa estava sendo coletada para Abaçay se fortalecer e finalmente conseguir sair da caverna em que se encontrava preso. — Nem minhas flechas mágicas conseguem penetrar o corpo de concreto dele… — disse Katarina quase em desespero. — Deve ter uma maneira. — disse Maria em seguida, mantendo sua calma. — Vamos esperar o guerreiro vermelho chegar e depois vamos unir nossas armas! — disse Rafael assumindo a posição de segundo líder. — Certo! — os outros três falaram juntos em concordância. Nesse momento, Joaquim, ainda no modo civil chegou acertando um chute no monstro, seu golpe não teve muito impacto e ele caiu em pé no chão. — Que corpo resistente… — disse Joaquim. Rapidamente os demais se aproximaram dele. — Vamos acabar logo com isso! — disse o guerreiro cor-de-rosa. — Claro… — Joaquim sacou o seu celular e foi até o aplicativo de transformação. — Espírito protetor, invocar! — o aparelho eletrônico emite um intenso brilho vermelho, da tela que agora está totalmente dessa mesa cor escarlate saí uma onça-pintada da mesma cor e transparente como se fosse um espírito, quando o animal entra em Joaquim a transformação é concluída. — Guerreiro espiritual vermelho! Espírito da Onça-pintada! — Guerreiro espiritual rosa! Espírito da Harpia! — Guerreira espiritual azul! Espírito do Boto! — Guerreiro espiritual verde! Espírito do Lobo Guará! — Guerreira espiritual amarela! Espírito do Jacaré! — Somos os protetores de Pindorama! Com o poder da natureza dessa terra, derrotaremos os espíritos malignos! Nós somos Os Guerreiros Espirituais, TUHPANGER! O quinteto gritou em perfeita sincronia, uma explosão colorida acontece atrás deles, mas perece que o monstro não está intimidado pela frase de efeito ensaiada ou pelo espetáculo colorido. — Acham que me colocam medo?! Estão errados! — gritou a criatura feita com pedaços da paisagem urbana. Os Tuhpanger juntam suas armas, dessa vez não formam uma Mega Blaster, mas sim uma espada grande e aparentemente pesada, quem a segura é o líder, o guerreiro vermelho, entretanto, os demais estão perto emitindo suas energias poderosas para a tal espada especial. — Chegou o seu fim! — disse Joaquim que inclinou a arma colorida para trás, a energia começou a se concentrar por toda a lâmina avermelhada. — Golpe final por Pindorama! Espada espiritual dos cinco protetores! Quando

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